terça-feira, 26 de junho de 2012

Bastidores da Greve Estudantil

O movimento estudantil passa por um momento delicado, fortalecido pela greve das universidades públicas, mas ao mesmo tempo sendo prejudicado pela participação agressiva e incoerente da Aliança Nacional dos Estudantes Livres – ANEL, uma pseudo-entidade criada pelos sectários do PSTU que vem a ser um erro fatal para a unificação dos estudantes na luta pela melhora do ensino público superior. Eles estão se aproveitando do movimento grevista para ganhar espaço e enfraquecer a UNE, através de discursos inflamados e com caráter completamente partidário a ANEL ganha militantes sem conhecimento político suficiente para analisar a conjuntura e agir de forma correta nas decisões do Comando Nacional de Greve dos Estudantes.
Esse comando foi formado em Brasília no dia 5 de Junho de 2012 durante a passeata da greve dos professores das UFs e é composto por dois representantes de cada universidade em greve estudantil e por um representante das que estão em processo de entrada no movimento. Estes representantes, eleitos em assembléia em cada instituição, votam em plenárias do comando os textos e as exigências dos estudantes segundo os interesses de seus representados. Porem existe intervenções de correntes políticas em suas decisões, principalmente dos que foram convencidos pelo PSTU, que tentam legitimar a existência da ANEL como entidade representativa dos Estudantes. Estes comandaram de forma irresponsável as ações dos estudantes no ato de Brasília do dia 5 de junho, onde colocaram a integridade física dos estudantes em risco ao incentivarem uma ocupação espontânea no prédio do MEC, houve confronto direto com a polícia e sem planejamento nenhum permitiram que militantes exaltados apedrejassem um patrimônio público federal. Isso é mais do que prova da infantilidade da ANEL e de sua falta de responsabilidade. Somos todos favoráveis às ocupações, mas de forma organizada e madura. As pautas levantadas pelos soldadinhos do PSTU não visão a melhora da educação, mas sim a derrocada do governo Dilma que não é o objetivo dessa greve que engloba mais de 80% das Universidades públicas federais. Assim ficam claros os interesses eleitoreiros desse partido aproveitador travestido de entidade estudantil. Tais ações prejudicam e discredibilizam toda e qualquer decisão que saia desse comando que depois de 20 anos de peleguismo da UNE se torna um marco histórico para o movimento estudantil.
A União Nacional dos Estudantes – UNE vive uma situação ainda mais complicada. Sua diretoria majoritária comandada pela juventude do PCdoB a UJS à 20 anos, vem obtendo representação medíocre e direcionada pelos interesses nacionais do Partido Comunista do Brasil que de comunista só tem o nome. A União da Juventude Socialista – UJS garante suas cadeiras na UNE se utilizando de militontos despreparados e facilmente instrumentalizados que a UJS busca nas instituições estudantis. Prometendo festinhas e falsas propostas marxistas eles arrastam grandes números de delegados secundaristas e universitários para votarem nos congressos da UNE as pautas pelegas que eles propõem para a obtenção de cargos no governo federal. Transformando a UNE em moeda de troca e o movimento estudantil em mesa de negociações. Somos todos vítimas de uma democracia sem instrução que se finda em uma ditadura sem ganhos para o movimento. Outras correntes e estudantes independentes que disputam o espaço da UNE ficam de mãos atadas pela política suja imposta pelas lideranças mercenárias da UJS.
Precisamos de uma unificação imediata das alas contrárias à esse jogo político. A cabeça da direção majoritária da UNE é um objetivo que tem que ser consenso de todos. A UNE ao contrário da ANEL, não é um partido, mas sim um espaço importante da luta estudantil que precisa ser retomado. O abandono da União Nacional dos Estudantes aos seus 75 anos de existência seria uma prova clássica do enfraquecimento da esquerda, abrir mão de nossa casa não é estratégia inteligente para a atual conjuntura. Retomemos a UNE e fortifiquemos a greve. Estudante em greve uniu-vos, pois a causa é a mesma. 
POR:  PC Veríssimo – Estudante em greve do curso de Geografia da UNIFAL (Universidade Federal de Alfenas-MG)

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