Bastidores da Greve Estudantil

O
movimento estudantil passa por um momento delicado, fortalecido pela
greve das universidades públicas, mas ao mesmo tempo sendo prejudicado
pela participação agressiva e incoerente da Aliança Nacional dos
Estudantes Livres – ANEL, uma pseudo-entidade criada pelos sectários do
PSTU que vem a ser um erro fatal para a unificação dos estudantes na
luta pela melhora do ensino público superior. Eles estão se aproveitando
do movimento grevista para ganhar espaço e enfraquecer a UNE, através
de discursos inflamados e com caráter completamente partidário a ANEL
ganha militantes sem conhecimento político suficiente para analisar a
conjuntura e agir de forma correta nas decisões do Comando Nacional de
Greve dos Estudantes.
Esse comando foi formado em Brasília no dia 5
de Junho de 2012 durante a passeata da greve dos professores das UFs e é
composto por dois representantes de cada universidade em greve
estudantil e por um representante das que estão em processo de entrada
no movimento. Estes representantes, eleitos em assembléia em cada
instituição, votam em plenárias do comando os textos e as exigências dos
estudantes segundo os interesses de seus representados. Porem existe
intervenções de correntes políticas em suas decisões, principalmente dos
que foram convencidos pelo PSTU, que tentam legitimar a existência da
ANEL como entidade representativa dos Estudantes. Estes comandaram de
forma irresponsável as ações dos estudantes no ato de Brasília do dia 5
de junho, onde colocaram a integridade física dos estudantes em risco ao
incentivarem uma ocupação espontânea no prédio do MEC, houve confronto
direto com a polícia e sem planejamento nenhum permitiram que militantes
exaltados apedrejassem um patrimônio público federal. Isso é mais do
que prova da infantilidade da ANEL e de sua falta de responsabilidade.
Somos todos favoráveis às ocupações, mas de forma organizada e madura.
As pautas levantadas pelos soldadinhos do PSTU não visão a melhora da
educação, mas sim a derrocada do governo Dilma que não é o objetivo
dessa greve que engloba mais de 80% das Universidades públicas federais.
Assim ficam claros os interesses eleitoreiros desse partido
aproveitador travestido de entidade estudantil. Tais ações prejudicam e
discredibilizam toda e qualquer decisão que saia desse comando que
depois de 20 anos de peleguismo da UNE se torna um marco histórico para o
movimento estudantil.
A União Nacional dos Estudantes – UNE vive
uma situação ainda mais complicada. Sua diretoria majoritária comandada
pela juventude do PCdoB a UJS à 20 anos, vem obtendo representação
medíocre e direcionada pelos interesses nacionais do Partido Comunista
do Brasil que de comunista só tem o nome. A União da Juventude
Socialista – UJS garante suas cadeiras na UNE se utilizando de
militontos despreparados e facilmente instrumentalizados que a UJS busca
nas instituições estudantis. Prometendo festinhas e falsas propostas
marxistas eles arrastam grandes números de delegados secundaristas e
universitários para votarem nos congressos da UNE as pautas pelegas que
eles propõem para a obtenção de cargos no governo federal.
Transformando a UNE em moeda de troca e o movimento estudantil em mesa
de negociações. Somos todos vítimas de uma democracia sem instrução que
se finda em uma ditadura sem ganhos para o movimento. Outras correntes e
estudantes independentes que disputam o espaço da UNE ficam de mãos
atadas pela política suja imposta pelas lideranças mercenárias da UJS.
Precisamos de uma unificação imediata das alas contrárias à esse jogo
político. A cabeça da direção majoritária da UNE é um objetivo que tem
que ser consenso de todos. A UNE ao contrário da ANEL, não é um partido,
mas sim um espaço importante da luta estudantil que precisa ser
retomado. O abandono da União Nacional dos Estudantes aos seus 75 anos
de existência seria uma prova clássica do enfraquecimento da esquerda,
abrir mão de nossa casa não é estratégia inteligente para a atual
conjuntura. Retomemos a UNE e fortifiquemos a greve. Estudante em greve
uniu-vos, pois a causa é a mesma.
POR: PC Veríssimo – Estudante em greve do curso de Geografia da UNIFAL (Universidade Federal de Alfenas-MG)
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