quinta-feira, 26 de julho de 2012

Educação é estratégica para o governo?

Greve nas Universidades Federais refletem políticas salariais desiguais no setor público, sobrecarga de trabalho, ambientes precários e salas superlotadas

“No caso das universidades, a raiz dessa greve é reflexo de uma política salarial do setor público com tratamento desigual, fato que criou um nó difícil de resolver”, explica Sadi dal Rosso, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB).


Para Sadi, a insatisfação da categoria tem origem na reforma administrativa executada no fim dos anos 1990 pelo governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Naquele momento, foram estabelecidas as atividades típicas de Estado, como a constituição dos aparato repressivo, jurídico, de planejamento e de coleta de impostos”, diz. Educação, saúde, reforma agrária foram deixadas de lado. “Além de terem categorias de servidores muito grandes, essas áreas foram sendo desenvolvidas pelo setor privado com estímulo do próprio Estado. O problema é que isso foi feito em detrimento da população porque as pessoas não tem dinheiro para acessar boa educação, boa saúde e terra para trabalhar. Há uma frente empresarial investindo em educação, saúde e produção agrícola em um jogo muito pesado”, completa.
Mesmo no governo Lula, apesar do aumento nos investimentos em infraestrutura das universidades e expansão do acesso ao ensino superior, alguns dilemas permanecem. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), por exemplo, onde leciona a professora Sônia Lucia, diretora do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), o crescimento aprofundou problemas de precarização. “Na UFF, tínhamos dois mil professores para 2,1 mil alunos, em 2006. Agora, em 2012, são 2,9 mil docentes para 44,5 mil alunos. Isso gera sobrecarga de trabalho, ambientes precários, salas superlotadas, improvisação de espaços em contêiner etc”.

FONTE: Jornal Brasil de Fato - http://www.brasildefato.com.br/node/10081

Comunicado do Comando Nacional de Greve


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Guerra civil espanhola ou revolução espanhola

A Guerra Civil espanhola (1936-39) foi o acontecimento mais traumático que ocorreu antes da 2ª Guerra Mundial. Nela estiveram presentes todos os elementos militares e ideológicos que marcaram o século XX. De um lado se posicionaram as forças do nacionalismo e do fascismo, aliadas as classes e instituições tradicionais da Espanha (O Exército, a Igreja e o Latifúndio) e do outro a Frente Popular que formava o Governo Republicano, representando os sindicatos, os partidos de esquerda e os partidários da democracia.
Para a Direita espanhola tratava-se de uma Cruzada para livrar o país da influência comunista e da franco-maçonaria e restabelecer os valores da Espanha tradicional, autoritária e católica. Para tanto era preciso esmagar a República, que havia sido proclamada em 1931, com a queda da monarquia.
Para as Esquerdas era preciso dar um basta ao avanço do fascismo que já havia conquistado Itália (em 1922), a Alemanha (em 1933) e a Áustria (em 1934). Segundo as decisões da Internacional Comunista, de 1935, elas deveriam aproximar-se dos partidos democráticos de classe média e formarem uma Frente Popular para enfrentar a maré de vitorias nazi-fascistas. Desta forma Socialistas, Comunistas (estalinistas e troskistas) Anarquistas e Democratas liberais deveriam unir-se para chegar e inverter a tendência mundial favorável aos regimes direitistas.
Foi justamente esse conteúdo, de amplo enfrentamento ideológico, que fez com que a Guerra Civil deixasse de ser um acontecimento puramente espanhol para tornar-se numa prova de força entre forças que disputavam a hegemonia do mundo. Nela envolveram-se a Alemanha nazista e a Itália fascista, que apoiavam o golpe do Gen. Franco e a União Soviética que solidarizou-se com o governo Republicano.

Antecedentes
A Espanha ainda nos 30 era um anacronismo histórico. Enquanto a Europa ocidental já possuía instituições políticas modernas, no mínimo a um século a Espanha era um oásis tradicionalista, governada pela "trindade reacionária"(O Exército, a igreja católica e o Latifúndio), que tinha sua expressão última na monarquia burbônica de Afonso XIII. Vivia nostálgica do seu passado imperial grandioso, ao ponto de manter um excessivo número de generais e oficiais (1 general para cada 100 soldados, o maior percentual do mundo), em relação às suas reais necessidades. A igreja, por sua vez, era herdeira do obscurantismo e da intolerância dos tribunais inquisitoriais do santo Oficio, era uma instituição que condenava a modernidade como obra do demônio. E no campo, finalmente, existiam de 2 a 3 milhões de camponeses pobres, los braceros, submetidos às práticas feudais e dominados por uns 50 mil hidalgos, proprietário de metade das terras do país.
Como resultado da grave crise econômica de 1930 (iniciada pela quebra da bolsa de valores de N. Iorque, em 1929), a ditadura do Gen. Primo de Rivera, apoiada pelo caciquismo (sistema eleitoral viciado que sempre dava seus votos ao governo), foi derrubada e, em seguida, caiu também a monarquia. O Rei Afonso XIII foi obrigado a exilar-se e proclamou-se a República em 1931, chamada de "República de trabajadores".
A esperança era que doravante a Espanha pudesse alinhar-se com seus vizinhos ocidentais e marchar para uma reforma modernizante que separasse estado e igreja e que introduzisse as grandes conquistas sociais e eleitorais recentes, além de garantir o pluralismo político e partidário e a liberdade de expressão e organização sindical. Mas o país terminou por conhecer um violento enfrentamento de classes, visto que à crise seguida por uma profunda depressão econômica, provocando a frustação generalizada na sociedade espanhola.

Os partidos políticos
As esquerdas, obedecendo a uma determinação do Comintern (a Internacional Comunista controlada pela URSS), resolveram unir-se aos democratas e liberais radicais num Fronte Popular para ascender ao poder por meio de eleições. As esquerdas espanholas estavam divididas em diversos partidos e organizações, entre as quais:
PSOE (Partido Socialista Obreiro Espanhol) Socialistas
PCE (Partido Comunista Espanhol) Comunistas
POUM (Partido Obreiro da Unificação Marxista) Comunistas-trotsquistas
UGT (União Geral dos Trabalhadores) Sindical Socialista
CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) Sindical Anarquista
FAI (Federação Anarquista Ibérica) Anarco-Sindicalista
Elas aliaram-se com os Republicanos (Ação republicana e Esquerda republicana) e mais alguns partidos autonomistas (Esquerda catalã, os galegos e o Partido Nacional Basco). Essa coligação, venceu as eleições de fevereiro de 1936, dominando 60% das Cortes (O parlamento espanhol), derrotando a Frente Nacional, composta pelos direitistas.
A Direita por sua vez estava dividida agrupada na CEDA (Confederação das Direitas autônomas), no partido agrário, nos monarquistas e tradicionalistas (carlistas) e finalmente pelos fascistas da Falange espanhola (liderados por José Antônio).

O golpe militar e a guerra civil
O clima de turbulência interna motivado pela intensificação da luta de classes, especialmente entre anarquistas e falangistas que provocou inúmeros assassinatos políticos contribui para criar uma situação de instabilidade que afetou o prestígio da Frente Popular. Provavelmente as desavenças internas dos integrantes do Fronte Popular mais tarde ou mais cedo fariam com que o governo desandasse. Mas a direta espanhola estava entusiasmada com o sucesso de Hitler (aplastamento das esquerdas na Alemanha, remilitarização da Renânia, etc...) que se somou ao golpe direitista de Dolfuss na Áustria, em 1934. Derrotados nas eleições os direitistas passaram a conspirar com os militares e a contar com o apoio dos regimes fascistas (Portugal, com Oliveira Salazar, Alemanha com Hitler e a Itália de Mussolini). Esperavam que um levante dos quartéis, seguido de um pronunciamento dos generais, derrubariam facilmente a República.
No dia 18 de julho de 1936, o Gen. Francisco Franco insurge o Exército contra o governo republicano. Ocorre que nas principais cidades, como a capital Madri e Barcelona, a capital da Catalunha, o povo saiu as ruas e impediu o sucesso do golpe. Milícias anarquistas e socialistas foram então formadas para resistir o golpe militar. O país em pouco tempo ficou dividido numa área nacionalista, dominado pelas forças do Gen. Franco e numa área republicana, controlada pelos esquerdistas. Nas áreas republicanas ocorreu então uma radical revolução social. As terras foram coletivizadas, as fábricas dominadas pelos sindicatos, assim como os meios de comunicação. Em algumas localidades, os anarquistas chegaram até a abolir o dinheiro.
Em ambas as zonas matanças eram efetuadas através de fuzilamentos sumários. Padres, militares e proprietários eram as vítimas favoritas dos "incontroláveis", as milícias anarquistas, enquanto que sindicalistas, professores e esquerdistas em geral, eram abatidos pelos militares nacionalistas.

A intervenção estrangeira
Como o golpe não teve o sucesso esperado, o conflito tornou-se uma guerra civil, com manobras militares clássicas. O lado nacionalista de Franco conseguiu imediato apoio dos nazistas (Divisão Condor, responsável pelo bombardeamento de Madri e de Guernica) e dos fascistas italianos (aviação e tropas de infantaria e blindados) enquanto que Stalin enviou material bélico e assessores militares para o lado republicano. A pior posição foi tomada pela França e a Inglaterra que optaram pela "Não-Intervenção". Mesmo assim, não foi possível evitar o engajamento de milhares de voluntários esquerdistas e comunistas que vieram de todas as partes (53 nacionalidades) para formar as Brigadas Internacionais (38 mil homens) para lutar pela defesa da República.

A crise entre as esquerdas
Stalin temia que a revolução social desencadeada pelos anarquistas e trotsquistas pusesse em perigo a defesa da República. Ordenou então que o PC espanhol comandasse a supressão das milícias (que seriam absorvidas por um exército regular) e um expurgo no POUM (uma pequena organização pró-trotsquista). O que foi feito em maio de 1937. Essa divisão íntima das esquerdas, entre pró-revolução e pró-república, debilitou ainda mais as possibilidades defensivas do governo republicano.

O fim da guerra
A superioridade militar do Gen. Franco, a unidade que conseguiu impor sobre as direitas, foi fator decisivo na sua vitória sobre a República. Em 1938 suas forças cortam a Espanha em duas partes, isolando a Catalunha do resto do país. Em janeiro de 1939, as tropas do gen. Franco entram em Barcelona e, no dia 28 de março, Madri se rende aos militares depois de ter resistido a poderosos ataques (aéreos, de blindados e de tropas de infantarias), por quase três anos. As baixas da Guerra Civil oscilam entre 330 a 405 mil mortos, sendo que apenas 1/3 ocorreu na guerra. Meio milhão de prédios foram destruídos parcial ou inteiramente e perdeu-se quase metade do gado espanhol. A renda percapita reduziu-se em 30% e fez com que a Espanha afundasse numa estagnação econômica que se prolongou por quase trinta anos.

FONTE: http://variasvariaveis.sites.uol.com.br/cespanhola.html

terça-feira, 17 de julho de 2012

Relato de uma professora

No meu holerite tem as seguintes linhas:
Vencimento básico: R$ 3636,63 (aumentos concedidos, contabilização para aposentadoria incidem apenas sobre este valor)
Retribuição por titulação: R$ 4185, 97 (este valor é nominal, isto é nunca sofre reajustes, a menos que façamos uma greve. Pior, este valor é uma gratificação, sendo assim está disponível para ser retirada a qualquer momento que o governo queira). Quase 60 % dos nossos proventos NÃO SÃO direito adquirido!!!
Total de proventos: R$ 7822,60
Descontos: R$ 860,48 (seguridade social) + R$ 1280,08 (Imposto de renda) = R$ 2140,56
Resta para viver em São Paulo (10a. cidade mais cara do mundo) = R$ 5682,04

Pago de creche para meu filho (que deveria ser pública, mas o governo não dá pois acha que sou rica e não mereço vaga e a universidade não oferece nos novos campi) = R$ 1250,00
Pago de aluguel (pois não consigo juntar entrada para comprar minha casa própria) = R$ 2100,00 (poderia ser mais barato se eu levasse 2 h ou mais para chegar no trabalho, mas optei fazer esse sacrifício para poder cumprir melhor com minhas funções como docente: Ensino, pesquisa, extensão universitária e administração universitária - posso garantir que faço todas!!!)
Pago de plano de saúde para mim e meu filho (o que o governo deveria dar para todos com qualidade, mas como mãe zelosa e sabendo que não posso faltar ao meu filho optei por contratar um plano privado) = R$ 800,00
Sobram: R$1532,04 para alimentação, água, luz, telefone, gás, combustível, manutenção do carro, roupa barata, educação complementar para o meu filho etc.
Sou uma DOUTORA!!! Estou no topo da qualificação que um ser humano pode ter em qualquer parte do mundo! Ministro no mínimo 8 horas de aula por semana e realmente me dedico às aulas, tenho um projeto de desenvolvimento de softwares educacionais para ensino de Ciências para deficientes auditivos, oriento 8 alunos de Iniciação Científica, acabei de participar da elaboração de um programa novo de pós graduação em Ciências Ambientais que consumiu horrores do meu tempo, publico em periódicos científicos de alta qualidade, tenho um JP/FAPESP aprovado que trouxe 300 mil reais para a universidade, elaborei um projeto FINEP que foi aprovado e que captou 1 milhão e 200 mil reais para o campus Diadema, já organizei 2 eventos científicos em 4 anos que beneficiaram mais de 1000 pessoas.
Acho que mereço mais do que ficar contando dinheiro no fim do mês para ver ser consigo fechar as contas.
E acho que mereço ter uma carreira correta onde eu possa almejar, após muito trabalho durante quase 30 anos de trabalho, alcançar o topo e me aposentar com um salário decente!
POR: Professora Doutora Geórgia Labuto

segunda-feira, 2 de julho de 2012

ENEH 2012

 Ta chegando o dia galera
Vai ser da UNIFESP de Guarulhos
Incrições e informações pelo blog:
http://xxxi-eneh.blogspot.com.br/

  VAMOS LA ESTUDANTES DE HISTÓRIA DA UNIFAL MG