“No caso das universidades, a raiz dessa greve é reflexo de uma política salarial do setor público com tratamento desigual, fato que criou um nó difícil de resolver”, explica Sadi dal Rosso, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB).
Para Sadi, a insatisfação da categoria tem origem na
reforma administrativa executada no fim dos anos 1990 pelo governo
Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Naquele momento, foram estabelecidas
as atividades típicas de Estado, como a constituição dos aparato
repressivo, jurídico, de planejamento e de coleta de impostos”, diz.
Educação, saúde, reforma agrária foram deixadas de lado. “Além de terem
categorias de servidores muito grandes, essas áreas foram sendo
desenvolvidas pelo setor privado com estímulo do próprio Estado. O
problema é que isso foi feito em detrimento da população porque as
pessoas não tem dinheiro para acessar boa educação, boa saúde e terra
para trabalhar. Há uma frente empresarial investindo em educação, saúde e
produção agrícola em um jogo muito pesado”, completa.
Mesmo
no governo Lula, apesar do aumento nos investimentos em infraestrutura
das universidades e expansão do acesso ao ensino superior, alguns
dilemas permanecem. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), por
exemplo, onde leciona a professora Sônia Lucia, diretora do Sindicato
Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), o
crescimento aprofundou problemas de precarização. “Na UFF, tínhamos dois
mil professores para 2,1 mil alunos, em 2006. Agora, em 2012, são 2,9
mil docentes para 44,5 mil alunos. Isso gera sobrecarga de trabalho,
ambientes precários, salas superlotadas, improvisação de espaços em
contêiner etc”.
FONTE: Jornal Brasil de Fato - http://www.brasildefato.com.br/node/10081
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